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2026

Entre rastros, mortes e histórias: cobras e serpentes na imprensa amazônica nos séculos XIX e XX

Janaia Losada | 6 de outubro


https://youtu.be/yFGr8XolzBI

O objetivo desta palestra é colocar em debate, na perspectiva de uma história humano-animal, os encontros entre animais humanos e animais serpentes, publicados pela imprensa periódica amazônica durante o século XIX e começo do século XX. O objetivo é buscar o animal real e não metafórico, tornando o momento do encontro, relatado e publicado, como um lugar privilegiado para compreender as concepções sobre a fauna e em particular sobre uma ordem de répteis, a Squamata, identificando as ações tomadas por uns e por outros, resgatando os acontecimentos em si e trazendo à leitura os saberes que neles foram mobilizados. Os rastros e as mortes de ambos os animais, humanos e serpentes, figurarão aqui como elementos articuladores de uma história que é feita de notícias que circularam nas terras e águas amazônicas.  

Semear na ruína: o Antropoceno irregular no Napo

Michael Uzendosky | 15 de junho


https://youtu.be/R5yM1tuKR1s

Esta apresentação analisa as florestas alimentares na comunidade kichwa de Mulchi Yaku (Napo) como práticas de semear nas ruínas do extrativismo amazônico. A partir da perspectiva de um Antropoceno irregular e fragmentário, argumenta que esses arranjos agroflorestais constituem respostas comunitárias que regeneram solos, saberes e relações multiespécies. Frente à mineração, à piscicultura industrial e à expansão urbana, as florestas alimentares emergem como espaços de trabalho vivo, autonomia territorial e criação de ambientes de vida.

Ecologias extrativas: mundos multiespécies e a formação colonial da Amazónia

Raphael Uchôa, Karen Shiratori e Emanuele Fabiano | 24 de março


https://youtu.be/VW5KPrUG1A0

Este colóquio explora as formas como o extrativismo colonial e contemporâneo moldou a Amazónia enquanto um mundo multiespécies composto por humanos, animais, plantas e outros seres. A partir de perspetivas da história ambiental, da ecologia política e da etnografia, reflete tanto sobre os impactos duradouros da extração colonial como sobre as possibilidades emergentes de formas mais justas e sustentáveis de habitar os mundos amazónicos.

“Pulsação verdejante”: o simbolismo da natureza na poesia de Daniel Faria ou a poesia como biossemiose

Martinho Soares | 10 de março


https://youtu.be/vNaxdzDd-gE

A palestra analisa o simbolismo da natureza na poesia de Daniel Faria à luz das humanidades ambientais e da ecocrítica, enquadrando a sua obra num movimento crítico que problematiza as dicotomias tradicionais entre natureza e cultura, humano e não humano, visível e invisível. Partindo de uma perspetiva não antropocêntrica, o estudo sustenta que, embora a poesia de Daniel Faria não possa ser classificada como explicitamente pós-humanista, dela emana uma forte “força ecológica”, entendida como uma relação simbólica e ontológica entre o humano, a casa e o mundo natural.

Ciclo de Palestras 2026

Alianças estratégicas e modos ontológicos entre os Makushi

James Andrew Whitaker | 11 de março


https://youtu.be/K6MO5Qb1fuI

Esta apresentação explora as estruturas relacionais por meio das quais os moradores Makushi de Surama interagem com ecoturistas na Guiana. Mostra como os ecoturistas e os seus líderes se posicionam de forma semelhante aos espíritos xamânicos e como essas relações ecoam os primeiros encontros Makushi com missionários anglicanos durante o século XIX. A apresentação descreve como grupos Makushi formaram alianças estratégicas com estrangeiros no passado e no presente e como essas relações continuam a fornecer desideratos materiais e imateriais, que são utilizados em projetos locais de transformação individual e coletiva. Os temas centrais desta apresentação baseiam-se em dois livros publicados recentemente: The Shamanism of Eco-Tourism (Cambridge University Press, 2025) e Indigenous Alliance Making (University of Arizona Press, 2025).

Poéticas ameríndias em tradução: os cantos krahô e suas múltiplas vozes

Ian Packer | 11 de fevereiro


https://youtu.be/shBGsIxn0OUNesta apresentação, foram referidas algumas das complexidades enunciativas, linguísticas e estéticas de dois gêneros principais de canto ritual dos Krahô, povo indígena falante de uma língua Jê que vive no noroeste do estado do Tocantins, no Brasil. O palestrante irá mostrar a diversidade constitutiva das poéticas vocais ameríndias (no caso, internas a um mesmo povo) e como elas demandam diferentes caminhos de experimentação tradutória.

Ciclo de Palestras 2025

Desaprendendo a cegueira vegetal: o que a antropologia pode ensinar sobre a vida das plantas

Laura Rival | 9 de dezembro


https://youtu.be/hP36abpA6jQ

Esta palestra convida-nos a refletir sobre a forma como a antropologia pode ajudar a transformar a maneira como vemos e nos relacionamos com as plantas. Graças às contribuições das humanidades ambientais, já não pensamos na natureza como um simples pano de fundo da vida humana, mas como uma rede complexa de seres interdependentes. No entanto, no entusiasmo em reconhecer a agência não humana, a própria “humanidade” é frequentemente tratada como uma categoria única e indiferenciada, o que obscurece as múltiplas e concretas formas através das quais diferentes comunidades imaginam e praticam o que significa viver bem. Com base em pesquisas sobre a domesticação da mandioca e numa viagem a uma comunidade ribeirinha no Alto Rio Negro, a palestrante propõe uma compreensão mais íntima e relacional dos encontros interculturais entre humanos e plantas.

Cosmoecologia de uma liana amazônica

Luísa Elvira Belaunde | 4 de novembro


https://youtu.be/A2q5WoZ88Fo

As lianas são plantas trepadeiras lenhosas, fundamentais na ecologia amazônica, que criam pontes suspensas entre as copas das árvores. Nesta apresentação, narramos as relações entre os seres humanos e algumas de suas lianas companheiras, com foco na yoco (Paullinia yoco), uma liana da família Sapindaceae, rica em cafeína e endêmica do refúgio do Pleistoceno do Napo. Em torno do yoco, tecem-se parentescos cosmoecológicos com outras lianas, como a ayahuasca (Banisteriopsis caapi) e o tamshi (Heteropsis sp., Thoracocarpus sp.), que também entrelaçam os seres humanos com as aves e contribuem para definir o caráter das pessoas.

Novas poéticas amazónicas: sensibilidades contracoloniais,
queer e multiespécies

Leila Lehen e Jeremy Lehnen | 16 de outubro


https://saladeimprensa.ces.uc.pt/ficheiros/canalces/48999_novas_poeticas_amazonicas.mp4

A primeira apresentação investiga como a poesia amazônica mobiliza os sentidos para confrontar a violência colonial e suas persistentes heranças tais como o extrativismo e a violência epistêmica e ecológica, partindo da leitura de poemas de Sony Ferseck (Makuxi), María Clara Sharupi (Shuar) e Anastasia Candre (Okaina-Uitoto). A segunda apresentação argumenta que o filme Uyra: A retomada da floresta (Juliana Curi 2022) posiciona a comunidade trans* como permanecendo com a Amazônia, encarnando um compromisso de reimaginar as possibilidades do agora ao evitar o discurso da futuridade para “permanecer com o problema” (Haraway).

Amazônia cultivada: saberes indígenas na construção da biodiversidade e dos ecossistemas

Carolina Levis | 13 de junho


https://youtu.be/fiAAtCZ2alc

A ideia de que boa parte das florestas amazônicas permaneceram intocadas ao longo da história humana tem fascinado naturalistas, gestores, jornalistas e cientistas naturais e sociais em todo o mundo. Por muitos séculos, a ciência ocidental negligenciou a contribuição dos povos indígenas na construção dos ecossistemas amazônicos, e esforços de conservação da natureza ignoraram a importância desses povos na manutenção da biodiversidade. Recentemente, pesquisas arqueológicas reestruturam a história indígena profunda da região que se iniciou há pelo menos 12.000 anos atrás.

Utopia e Tropicalidade: Ideologias da natureza, da ciência, dos povos e da política no pensamento e na vivência da Amazônia

Susanna Hecht | 9 de maio


https://youtu.be/JNM6a22oSAw

A Amazônia foi originalmente descrita como uma terra sem Lei, Fé ou Rei — essencialmente uma tabula rasa social sobre a qual as virtudes ou economias das sociedades europeias poderiam ser inscritas, suas deficiências corrigidas ou sua soberania implementada por meio da criação de novos tipos de organização política. Embora pouco reconhecida, a Amazônia tem sido um terreno fértil para experimentações sociais e de planejamento desde o período das grandes navegações. Nesta palestra discutem-se esses diferentes engajamentos amazônicos e o que essas trajetórias históricas podem indicar sobre os futuros possíveis da região.

Agua, Poesía, Mito: oralituras y escrituras de naturaleza desde los Andes y el Amazonas

Miguel Rocha | 8 de maio


https://youtu.be/IXCfMu-KYicPor meio de reflexões sobre obras de artistas amazônicos como Candre e Muruy, além de um diálogo com a poesia de Juan Carlos Galeano, poeta colombiano radicado nos Estados Unidos, a palestra apresentar-nos-à alguns dos universos éticos e estéticos da escrita poética contemporânea. Ao introduzir outras formas de linguagem literária, também será argumentado que a atual crise climática não ocorre apenas aos níveis atmosférico e climático, mas também nas nossas relações homem-natureza. A mudança climática também é uma crise de linguagem, como será argumentado por meio de relações principalmente com a água e as florestas. Em suma, serão propostas questões a partir de uma perspectiva intercultural e artístico-literária, com base em escritos sobre natureza, mitos, textos andino-amazônicos e propostas teóricas apresentadas em Reforestar la imaginación (Fundo de Cultura Econômica do México), o mais recente livro de Miguel Rocha Vivas.

Financeirização da floresta: soja, agrotóxicos e vírus

Fábio Zuker | 11 de fevereiro


https://www.youtube.com/watch?v=ut1WvKprhVA&feature=youtu.be

A palestra aborda o uso dos agrotóxicos no processo esvaziamento das comunidades amazónicas e na abertura de mais espaço para a expansão das plantations de soja, fenômeno definido como expulsão por asfixia, e que busca concretizar o imaginário colonial-militar de uma Amazônia vazia. Trata-se de descrever e pensar etnograficamente o que o processo de financeirização da floresta significa para aqueles que vivem junto ao território, e que transformações implica para as relações entre pessoas, floresta e esses territórios.

 2025

Conferência de Abertura – Artes e experiências decoloniais

3 de dezembro de 2025


https://youtu.be/Mb-05lewJyM

Maria Laurinda (mestra de caxambu, líder comunitária, ativista)

Castiel Vitorino Brasileiro (artista, escritora e psicóloga) 

Mediação: João Vianna (UFES) & Nicole Soares-Pinto (UFES)

Apresentação musical de Erick Fasabi (artista e liderança Shipibo-Konibo)

Câmera: Lucas Rodrigo Froes Ogawa

II) CRÉDITOS EVENTO: 

Coordenação:

Ana Gabriela Morim de Lima

Equipe Projeto:

Edmilson Rodrigues de Souza; Emanuele Fabiano; Ian Packer; João Vianna; Karen Shiratori; Natália Soares; Nicole Soares Pinto; Sandro José da Silva

Idealização:

GAIA: Núcleo de estudos dos povos da terra.

Realização:

GAIA: Núcleo de estudos dos povos da terra

Projeto EcoAmazônia

Correalização:

PROLIND

LabMuso/FAMES

NaV/UFES

Financiamento:

FAPES

Projeto EcoAmazônia

Comunidade Europeia

Seminário Bifurcações Vegetais

26 de novembro


https://youtu.be/M9PcPBT0eaQ

Conferência de Renato Sztutman

Seminário Bifurcações Vegetais

26 de novembro


https://youtu.be/f3gBdq7dLMs

Diálogo entre:
Rolande Simon-Millot
Frank Baniwa
Francisco Baniwa
Karen Shiratori
Etienne de France

Seminário Bifurcações Vegetais

26 de novembro


https://youtu.be/pAt_gUhzl1Y

Diálogo entre:
Osmar Marcelino
Arnaldo Loyola
Joana Cabral de Oliveira
José Diniz
Renata Marquez

Seminário Bifurcações Vegetais

26 de novembro


https://youtu.be/s0tiEsyPnvI

Diálogo entre:
Gio Guarani
Hugo Salustiano
Wellington Cançado
Miguel Georgieff
Angèle Keserwany

Seminário Bifurcações Vegetais

26 de novembro


https://youtu.be/0SvyZU0sMLE

Diálogo entre:
Denilson Baniwa
Maria Thereza Alves

Seminário Bifurcações Vegetais

26 de novembro


https://youtu.be/vExMPc9NFVM

Diálogo entre:
Indiarrury Can Krahô
Ana Gabriela Morim de Lima
Terezinha Dias
Jennifer Watling
Stephanie Sagot

Zoografia Amazónica na Arte Indígena Contemporânea

Patrícia Vieira | 17 de setembro

Palestra Inaugural do Curso Doutoramento Animais e Sociedade
https://www.youtube.com/watch?v=hHN43gZDkUc

A relevância dos animais na arte amazónica contemporânea atesta a centralidade do território e da sua biodiversidade para o conhecimento indígena. As ontologias ameríndias baseiam-se em relações horizontais e afetivas entre comunidades humanas, animais, plantas, rios e outras entidades da floresta que povoam mitos, rituais e cosmologias. O respeito por essas entidades é fundamental para a arte amazónica, onde estes seres se materializam em pinturas, esculturas e outras criações. Nesta palestra, analiso como xs artistas indígenas amazónicxs articulam experiências e relações que as suas comunidades estabeleceram com animais e outras formas de existência através de variadas narrativas visuais.

Ciclo de Palestras 2024

Fotografia e Ecologia: O Legado de Jacques Huber na Documentação da Amazónia

Nelson Sanjad | 5 de dezembro


https://youtu.be/qRtHXuzlW1EEsta apresentação explora a trajetória do botânico suíço Jacques Huber (1867-1914) e a sua obra fotográfica desenvolvida na Amazônia a partir de 1895. Huber, que também foi diretor de um dos maiores museus de história natural do Brasil, o Museu Paraense Emílio Goeldi, pertenceu a uma geração de botânicos que absorveu a fotografia em suas atividades profissionais, enquanto tecnologia para a documentação de plantas e paisagens. Sua obra expandiu os usos dessa tecnologia, sobretudo em pesquisas de campo, sendo considerada pioneira por incorporar conceitos da nascente ecologia vegetal e apresentar uma nova visualidade da floresta e de seus habitantes.

Poética pajé: vigília onírica, política cósmica, performagias

André Gardel | 15 de outubro


https://youtu.be/6j0RdIy0_JoA formulação de uma poética pajé visa dinamizar relações entre potências imaginárias extraocidentais e ocidentais, no que diz respeito a teias produtivas mitopoéticas que atuam dentro do espaço-tempo geopolítico que hoje é chamado de Brasil. Busca, a um só tempo, fortalecer “o encontro entre diferentes saberes e o saber do encontro,” ao mover algumas peças do sistema filosófico prático do xamanismo do fundo do cenário estético e cosmopolítico da floresta e colocá-las, em interação, na boca de cena de uma figuração metamórfica plurinacional brasileira, cuja circulação pretende gerar sentidos por meio de copresenças interétnicas, interartísticas e intertextuais. Para esse fim, deixa-se impregnar, em sua tessitura de construção de linguagem, por ressonâncias multidisciplinares da literatura, da performance e da “etnografia multiespécies” ou “da antropologia para além do humano.”

As categorias ambientais no pensamento contracolonial de Nego Bispo

Harlon Sousa | 24 de setembro


https://youtu.be/D74R5EGANFYAntônio Bispo dos Santos, liderança quilombola radicado no estado do Piauí, consolidou-se como um dos pensadores mais importantes do Brasil contemporâneo com as suas ideias contracoloniais. Categorias como a confluência, transfluência, biointeração e envolvimento apresentam-se como operadores conceituais fundantes de uma gramática  e epistemologia essencialmente afropindorâmica politeísta, baseadas na circularidade orgânica do começo, meio, começo. Evocaremos este pensamento para dialogar sobre o ambientalismo brasileiro no intuito de contribuir para a construção de alternativas teórico-metodológicas de reflexão e ação no cenário atual.

Seminário Bifurcações Vegetais

26 de novembro


https://youtu.be/f3gBdq7dLMs

Diálogo entre:
Rolande Simon-Millot
Frank Baniwa
Francisco Baniwa
Karen Shiratori
Etienne de France

Seminário Bifurcações Vegetais

26 de novembro


https://youtu.be/pAt_gUhzl1Y

Diálogo entre:
Osmar Marcelino
Arnaldo Loyola
Joana Cabral de Oliveira
José Diniz
Renata Marquez

Seminário Bifurcações Vegetais

26 de novembro


https://youtu.be/s0tiEsyPnvI

Diálogo entre:
Gio Guarani
Hugo Salustiano
Wellington Cançado
Miguel Georgieff
Angèle Keserwany

Seminário Bifurcações Vegetais

26 de novembro


https://youtu.be/0SvyZU0sMLE

Diálogo entre:
Denilson Baniwa
Maria Thereza Alves

Seminário Bifurcações Vegetais

26 de novembro


https://youtu.be/vExMPc9NFVM

Diálogo entre:
Indiarrury Can Krahô
Ana Gabriela Morim de Lima
Terezinha Dias
Jennifer Watling
Stephanie Sagot

Zoografia Amazónica na Arte Indígena Contemporânea

Patrícia Vieira | 17 de setembro

Palestra Inaugural do Curso Doutoramento Animais e Sociedade
https://www.youtube.com/watch?v=hHN43gZDkUc

A relevância dos animais na arte amazónica contemporânea atesta a centralidade do território e da sua biodiversidade para o conhecimento indígena. As ontologias ameríndias baseiam-se em relações horizontais e afetivas entre comunidades humanas, animais, plantas, rios e outras entidades da floresta que povoam mitos, rituais e cosmologias. O respeito por essas entidades é fundamental para a arte amazónica, onde estes seres se materializam em pinturas, esculturas e outras criações. Nesta palestra, analiso como xs artistas indígenas amazónicxs articulam experiências e relações que as suas comunidades estabeleceram com animais e outras formas de existência através de variadas narrativas visuais.

Ciclo de Palestras 2024

Fotografia e Ecologia: O Legado de Jacques Huber na Documentação da Amazónia

Nelson Sanjad | 5 de dezembro


https://youtu.be/qRtHXuzlW1EEsta apresentação explora a trajetória do botânico suíço Jacques Huber (1867-1914) e a sua obra fotográfica desenvolvida na Amazônia a partir de 1895. Huber, que também foi diretor de um dos maiores museus de história natural do Brasil, o Museu Paraense Emílio Goeldi, pertenceu a uma geração de botânicos que absorveu a fotografia em suas atividades profissionais, enquanto tecnologia para a documentação de plantas e paisagens. Sua obra expandiu os usos dessa tecnologia, sobretudo em pesquisas de campo, sendo considerada pioneira por incorporar conceitos da nascente ecologia vegetal e apresentar uma nova visualidade da floresta e de seus habitantes.

Poética pajé: vigília onírica, política cósmica, performagias

André Gardel | 15 de outubro


https://youtu.be/6j0RdIy0_JoA formulação de uma poética pajé visa dinamizar relações entre potências imaginárias extraocidentais e ocidentais, no que diz respeito a teias produtivas mitopoéticas que atuam dentro do espaço-tempo geopolítico que hoje é chamado de Brasil. Busca, a um só tempo, fortalecer “o encontro entre diferentes saberes e o saber do encontro,” ao mover algumas peças do sistema filosófico prático do xamanismo do fundo do cenário estético e cosmopolítico da floresta e colocá-las, em interação, na boca de cena de uma figuração metamórfica plurinacional brasileira, cuja circulação pretende gerar sentidos por meio de copresenças interétnicas, interartísticas e intertextuais. Para esse fim, deixa-se impregnar, em sua tessitura de construção de linguagem, por ressonâncias multidisciplinares da literatura, da performance e da “etnografia multiespécies” ou “da antropologia para além do humano.”

As categorias ambientais no pensamento contracolonial de Nego Bispo

Harlon Sousa | 24 de setembro


https://youtu.be/D74R5EGANFYAntônio Bispo dos Santos, liderança quilombola radicado no estado do Piauí, consolidou-se como um dos pensadores mais importantes do Brasil contemporâneo com as suas ideias contracoloniais. Categorias como a confluência, transfluência, biointeração e envolvimento apresentam-se como operadores conceituais fundantes de uma gramática  e epistemologia essencialmente afropindorâmica politeísta, baseadas na circularidade orgânica do começo, meio, começo. Evocaremos este pensamento para dialogar sobre o ambientalismo brasileiro no intuito de contribuir para a construção de alternativas teórico-metodológicas de reflexão e ação no cenário atual.

Além da Superfície: Investigando a contaminação de mercúrio na Amazônia através da arte e da literatura

Mayara Ribeiro | 18 de junho


https://youtu.be/m0M_Ce-pELkComo a arte amazónica narra visual e verbalmente a contaminação da paisagem humana e não-humana por metais pesados? Como o processo criativo e o efeito artístico da imagem e da palavra podem transmitir poeticidade explorando símbolos, imagens e narrativas que associam a força política da arte e a promoção da conscientização ambiental? Considerando o conhecimento tradicional, a espiritualidade, e as conexões com os territórios e os povos originários, a proposta desta conversa é investigar o significado cultural e simbólico incorporado em obras de Davi Kopenawa, Denilson Baniwa, Jorge Bodanzky, entre outros, em torno da contaminação da Amazónia por mercúrio.

Viagens, voragens e banzeiros: A imersão na floresta amazónica e a natureza dos meios

Gustavo Furtado | 22 de maio


https://www.youtube.com/watch?v=lTS-xIjO4xA

Em inúmeros relatos de viagem sobre a imersão na floresta amazônica, o sujeito metropolitano enfrenta uma experiência opressora devido ao calor intenso, vegetação densa, ruídos da fauna e insetos persistentes, resultando em desorientação, roupas rasgadas e febre. Alguns são até mesmo engolidos pela selva, como exemplificado no romance La vorágine de José Eustasio Rivera. Apesar de ser um clichê colonial, esses relatos possibilitam uma reflexão crítica sobre os meios de comunicação e sua mediação inadequada. Em diálogo com pesquisadores como John Durham Peters e Melody Jue, a análise dessas narrativas propõe uma reconfiguração da teoria dos meios, considerando a especificidade ecológica e humana da floresta.

Patrimonio lingüístico en manos privadas: comparando materiales de lenguas Arawak (Perú) con el caso de California

Zachary O’Hagan | 22 de março


https://youtu.be/aP7Zo9_ZTZENos últimos anos, o California Language Archive (CLA) da Universidade da Califórnia em Berkeley vem adquirindo materiais de arquivo – gravações, documentos, fotografias – sobre os povos Arawak do Peru de um grupo de antropólogos, linguistas e etnomusicólogos que pesquisam esses idiomas e culturas desde a década de 1960. Nesta apresentação, Zachary O’Hagan considera o valor dessas diferentes coleções com um olhar voltado para o contexto da Califórnia e os vários projetos de revitalização de idiomas que o CLA apoia.

Monoculturas: Perspetivas Eco-Culturais (2024)

“Base da fortuna de um vasto império”: a monocultura de plantas na literatura brasileira

Lúcia Sá | 16 de fevereiro


https://youtu.be/WJBaMZS9Yf0

A vocação do Brasil como produtor agrícola de exportação aparece já na “Carta de Caminha,” para o Rei Dom Manuel no século dezasseis. Esta promessa se cumpriria décadas mais tarde com o cultivo extensivo da cana-de-açúcar, peça central de uma economia de exportação que se extende até os dias de hoje com o complexo açúcar-etanol. Esta palestra se concentra em representações da monocultura agrícola na literatura brasileira, do Romantismo até meados do século vinte. Retratos literários da monocultura são geralmente associados ao neo-realismo nordestino, mas começam já no período romântico, com as previsões de Franklin Távora sobre a importância da cana-de-açúcar na construção de “um grande império.” O foco da análise será nas plantações em si, isto é, na relação da monocultura com as florestas nativas ou com a paisagem ao redor.

Das monoculturas aos novos ecossistemas

Joaquim Sande Silva | 16 de fevereiro


https://youtu.be/RlH_7IFK84A

O eucalipto-comum (Eucalyptus globulus) foi introduzido em Portugal em meados do século dezanove, juntamente com muitas outras espécies de eucaliptos. No entanto, rapidamente se destacou das outras espécies, devido ao rápido crescimento e à excelente adaptação às condições ambientais portuguesas. Os incêndios têm favorecido a expansão da espécie, devido à sua adaptação ao fogo. Essa adaptação, e o abandono de muitas plantações, fazem com que muitas áreas de eucalipto não correspondam atualmente ao paradigma da monocultura para produção de madeira. Muitas dessas áreas são novos ecossistemas que evoluem naturalmente sem qualquer intervenção humana, e sem qualquer aproveitamento económico. Os desafios que estes novos ecossistemas apresentam são enormes, por trazerem associada uma perda de valor do território e pelas dificuldades em reverter essa perda.

Espécies insurgentes: repensar a recuperação a partir das experiências dos animais nos incêndios florestais

Verónica Policarpo | 16 de fevereiro


https://youtu.be/EieYKAGKinY

Como podemos compreender melhor a noção contemporânea de monocultura a partir da experiência subjectiva dos animais de viver em territórios feridos e/ou ameaçados pelas catástrofes ambientais? Partindo da reflexão e experiência resultantes do projecto ERC em curso “ABIDE: Animal ABidings: recoverIng from DisastErs in more-than-human communities,” a palestra conceptualiza as experiências animais a partir das suas capacidades e práticas imbuídas de significados próprios, como partes constitutivas de uma diversidade ecológica que potencia uma transformação insurgente, à revelia dos modos humanos de regulação das outras espécies, da paisagem e do território.

“Homens-abacaxi”, novidades coloniais e trans-plantas: ficções de frutas de plantação

Susan McHugh | 16 de fevereiro


https://youtu.be/8W-G0nKtRAM

Ao detalhar a história de uma plantação baseada no roubo de terras e no tráfico de seres humanos, a secção final do popular romance de James Michener, Hawaii (1959), apresenta uma visão dos descendentes de trabalhadores de diferentes grupos étnicos estrangeiros misturando-se numa “raça de homens abacaxi. Não se trata de ficção científica na narrativa de Michener, mas sim da ascensão e queda da Hawaiian Pineapple Company na vida real e da libertação social dos trabalhadores imigrantes, que ele identifica com os frutos literais – e também não-nativos – do seu trabalho. À luz dos atuais problemas de saúde humana e ambiental decorrentes da monocultura do abacaxi, a palestra analisa o sofrimentos de plantas, animais e pessoas no romance.

A magia da monocultura: escrever a história de uma aposta global

Frank Uekoetter | 15 de fevereiro


https://youtu.be/3nx8NPx8IZ8

As monoculturas dominam o mundo da alimentação, e ninguém sabe porquê: não existe uma teoria convincente da monocultura e existem muitas provas conceptuais e empíricas dos benefícios da diversidade biológica. Então, talvez um historiador possa entender um empreendimento que confunde os agrónomos? Esta apresentação explora uma história eminentemente aberta.

(Re)perspetivar a monocultura de eucaliptos em Portugal

Susana de Matos Viegas | 15 de fevereiro


https://youtu.be/NJ4lYwQ4vjI

A invasão do território português pelos eucaliptos tem sido perspetivada de formas aparentemente múltiplas sem que se considere, no entanto, a monocultura como o problema principal. Nesta comunicação, parte-se do questionamento do que é floresta a partir de vivências indígenas sobre biodiversidade em contextos da floresta Amazónia e da Mata Atlântica no Brasil e de floresta tropical de monção em Timor-Leste – três paisagens exemplares na manutenção da biodiversidade. Este argumento desenvolve-se a partir de análises etnográficas sustentadas em trabalho de campo de longa duração realizado nestes contextos e a partir da análise de documentos oficiais sobre floresta em Portugal, nomeadamente o relatório dos megaincêndios de 2017.

O Brasil na história do plantationceno: permanências e metamorfoses do modelo colonial

José Augusto Pádua | 15 de fevereiro


https://youtu.be/eXJaT0W8FgM

O estabelecimento do modelo de plantações em espaços coloniais – combinando desflorestamento, monoculturas e escravismo – teve um papel histórico fundamental na criação de uma economia-mundo sob domínio europeu. No contexto atual, a presença das monoculturas em grande escala e da “mente monocultural” constitui um traço essencial da ordem socioeconómica que reproduz e amplia o Antropoceno como condição histórica. Desde a montagem do sistema de produção açucareira, o Brasil vem sendo um laboratório de experimentos sociais, territoriais e ecológicos baseados na monocultura com espécies exóticas. A apresentação pretende discutir as possíveis características comuns que podem ser observadas nessas experiências – como a negação dos ecossistemas nativos e da diversidade ecológica e cultural – examinando a sua continuidade ou não com a herança colonial.

Planetariedade e diversidade: sobre algumas condições para o avanço de ação sobre o clima

Dipesh Chakrabarty | 15 de fevereiro


https://youtu.be/fD-P24RT6yo

Os cientistas que estudam o sistema terrestre geralmente retratam este sistema como unitário. É este pensamento que estabelece metas como a descarbonização da economia global até 2050 e subjaz aos orçamentos de carbono que o IPCC elabora para a humanidade. Mas estas medidas criam um problema para pensar a política climática, pois a política baseia-se nas diferenças humanas. Não existe um “nós” humano global e indiferenciado que seja capaz de responder a estes desafios. O lugar deste “nós” humano ausente é hoje ocupado pela tecnologia e por economistas com planos para reformas de mercado, geoengenharia, captura e sequestro de carbono, e assim por diante. Esta palestra argumenta que o sistema terrestre, embora singular, não é um todo homogéneo. É, nesse sentido, uma unidade não totalizante. A política não tem de renunciar à sua base na diversidade e na diferença para responder a perspectivas planetárias e pensar formas de política climática que não deixem de lado questões de diversidade e de diferença.

Ciclo de Palestras 2023

Processo desconstituinte de direitos indígenas no Brasil

Carolina Santana e Manuela Carneiro da Cunha | 06 de dezembro



Mais informação sobre a palestra

https://www.youtube.com/watch?v=f1iFl-cDV_o

A Assembleia Nacional Constituinte ocorrida em 1987 e 1988 no Brasil foi palco de disputas conceituais e disputas de visões de mundo sobre direitos indígenas. Verificamos que estes argumentos fundantes que são rediscutidos incessantemente desde a Assembleia Nacional Constituinte como se não tivessem já sito objeto de debate e votação.

A Amazónia entre a fotografia, o ensaio e o estudo

Jorge Nájar e Elena Galvéz | 14 de novembro



Mais informação sobre a palestra

https://youtu.be/yfQzC9c51Uw

O escritor peruano Jorge Nájar e a historiadora Elena Galvéz discutem a representação da época de exploração de borracha na Amazónia de uma perspetiva literária, histórica e artística.

Literatura da borracha: Amazónia peruana e Portugal

Percy Vílchez e Gerard Rodríguez | 14 de novembro



Mais informação sobre a palestra

https://youtu.be/OmngCkvQhbI

Os escritores peruanos Percy Vílchez e Gerard Rodríguez refletem sobre o período da exploração da borracha na Amazónia e sobre a forma como retratam esta época histórica nas suas obras.

Animais Amazónicos na Literatura Brasileira Contemporânea

Maria Esther Maciel | 04 de outubro



Mais informação sobre a palestra

https://www.youtube.com/watch?v=NeRn6Lj35xk

A palestra percorre algumas obras poético-ficcionais brasileiras do século XXI voltadas para o enfoque dos animais da Amazônia. O propósito é  abordar as diferentes formas de interação entre humanos e não humanos apresentadas nestes textos. Entre os autores incluídos, estão Astrid Cabral, Olga Savary, Micheliny Verunschk, André Gardel e Pedro Cesarino.

Futuros possíveis: imaginação e especulação para resistir no Antropoceno

Renato Sztutman | 30 de maio



Mais informação sobre a palestra

https://www.youtube.com/watch?v=aIdVtDUKMZ8&ab_channel=EcoAmazoniaO foco desta apresentação é o lugar da imaginação e da especulação na elaboração de respostas à crise instaurada pelo Antropoceno, época geológica na qual a humanidade se tornou a força predominante, colocando em risco a integridade do planeta. 

Artes visuais indígenas e os paradoxos da construção das indigeneidades a partir da arte contemporânea

María Eugenia Yllia | 24 de abril



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https://www.youtube.com/watch?v=ncIjBn354Y4&ab_channel=EcoAmazoniaApresentação de um panorama crítico das artes visuais indígenas amazônicas peruanas desde sua irrupção em Lima no final do século passado.  

Uma outra história das cidades perdidas da Amazônia: desenvolvimento e utopia no Brasil contemporâneo

Danielle Heberle Viegas | 13 de fevereiro



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https://www.youtube.com/watch?v=dOPBGzFANSo&ab_channel=EcoAmazoniaNesta sessão, a oradora propõe uma análise do surgimento e desaparecimento de cidades na Amazónia brasileira ao longo do século XX até à atualidade, no contexto das políticas desenvolvimentistas e do modelo de urbanização técnico-autoritário. 

Futurismos Amazónicos (2023)

Modernidades indígenas: las acechanzas de las lógicas cibernéticas y los aportes de la medicina ancestral

Pedro Favarón | 21 de julho



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https://youtu.be/tUe3fY9Pfk4

Nesta palestra estabelece-se uma ponte entre diferentes formas de modernidade, passando pela cibernética e pelo pensamento indígena amazónico.

¿Futurismos indígenas? Narrativas de anticipación y cine

Renato Sztutman | 20 de julho



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https://youtu.be/7xb6_6kIMiQ

Esta palestra discute a noção de futuro tendo como pano de fundo as cosmologias de diferentes povos indígenas, do Brasil à Austrália.

Humanidades Vegetais na Amazónia (2022)

Agricultura de brincadeira das baixas terras da América do Sul?

Manuela Carneiro da Cunha | 13 de outubro



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https://youtu.be/RNE_HuBALv0

No seu derradeiro livro, publicado em colaboração com um arqueólogo, o importante antropólogo David Graeber chama a agricultura praticada pelos povos indígenas das baixas terras sul-americanas de agricultura de brincadeira. Manuela se detém nas características de alguns exemplos dessa agricultura para entender sua natureza e as relações que esses povos tecem e mantêm com os vegetais.

Uma metodologia para a leitura territorial através dos vestígios da inscrição humana na natureza

Esperanza Martínez | 13 de outubro



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https://youtu.be/wfftaOMKUGs

Em sua palestra, Martinéz propõe uma leitura do território com base nos “vestígios” que os humanos inscrevem na natureza. Esses vestígios são figuras e símbolos pré-hispânicos ou indígenas, vistos tanto como uma possibilidade de investigar as concepções de natureza e humanidade das sociedades, quanto de realizar uma “terapia epistêmica”. Por fim, tal terapia é entendida como um questionamento das formas tradicionais de entender a produção de símbolos cerca da natureza e da cultura.

Os cantos: uma forma de relacionamento com a floresta e com a memória histórica amazónica a partir da cultura Shiwiar

Rosa Elvira Gualinga Chuji | 13 de outubro



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https://youtu.be/N9z8bPl9QaQ

Rosa Gualinga, vice-presidente da nacionalidade Shiwiar da Amazônia equatoriana, cantora e conhecedora das terapéuticas tradicionais, apresenta as comunidades indígenas como protetoras da natureza amazónica. A liderança também apresenta os processos de aprendizagem sobre as qualidades das plantas em um contexto comunitário amazônico. Por fim, o canto opera como um elemento de cura na cultura Shiwiar.

O olhar colonial sobre a vegetação amazônica: estranhamento, seletividade e utilitarismo

José Augusto Pádua | 13 de outubro



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https://youtu.be/FGdFbrVVzIM

Em sua apresentação Pádua propôs entender através de uma retórica textual e imagética como a Amazônia tem sido compreendida no pensamento ocidental. Trata-se de uma visita histórica acerca da construção discursiva da natureza amazônica através das ações de nomeação, classificação e comparação com a natureza ocidental, a fim de transformar a Amazônia em um objeto acessível e legível  ao Ocidente.

Narrativas e relacionamientos com a floresta amazónica pela perspetiva Kichwa

Zoila Castillo Tuti | 13 de outubro



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https://youtu.be/VOPXF0c9pMw

A intervenção desta liderança política se concentra em mostrar como as plantas de seu território têm diferentes usos: ritual, curativo, alimentar, mágico, etc. Ela nos mostra a floresta amazônica como a principal fonte da qual as comunidades indígenas obtêm os elementos indispensáveis para suas vidas, tanto material como subjetivamente.

“Saudades das árvores compridas”: retomar a terra e a vida com os Tikmū’ūn-Maxakali

Roberto Romero | 14 de outubro



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https://youtu.be/clmQYLBdF9E

Milhares de habitantes das florestas de Mata Atlântica que cobriam toda a região da atual fronteira entre os estados de Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo (Brasil), os Tikmū’ūn – mais conhecidos como Maxakali – viram o seu território se converter num imenso deserto de capim colonião à medida em que a frente colonizadora avançou pela região a partir do século XIX. Apesar de habitarem, hoje, uma terra arrasada, os Tikmū’ūn preservaram em seus corpos, palavras e memórias a diversidade dos seres visíveis e invisíveis que habitam ou já habitaram suas florestas. Através de um vastíssimo complexo musical e ritual conhecido como yãmīyxop, estes homens e mulheres atualizam diariamente a presença da floresta em suas vidas, a despeito de toda a destruição do território que lutam para retomar e reflorestar. Nesta apresentação, revisito o histórico da devastação dos vales do Mucuri e Jequitinhonha, aproximando o passado da região com o futuro projetado para a floresta amazônica. A partir dos cantos e histórias dos yãmīyxop, reconstituo os vínculos dos povos Tikmū’ūn com a floresta e seus habitantes ancestrais. Por fim, apresento as recentes iniciativas destes povos para retomar a terra e a vida em seus territórios, em particular a experiência recente da Aldeia-Escola-Floresta, uma iniciativa que combina arte, política e educação “para fazer voltar a mata, as águas e os bichos”, como suas principais lideranças costumam formular.

O agrocídio e o planeta-pipoca: Pensando com Colheita Maldita, de Denilson Baniwa

Jamille Pinheiro | 14 de outubro



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https://youtu.be/wgZOBDAbRJk

A legitimação do agronegócio predatório, da mineração ilegal e do racismo anti-indígena no Brasil encontra raízes na história da escravidão e da ditadura militar, bem como no discurso desenvolvimentista e no mito da democracia racial que persistem no país. Considerando esse contexto, discutiremos o curta-metragem Colheita Maldita, realizado pelo artista indígena amazonense Denilson Baniwa como comissionamento do projeto Culturas do Antirracismo na América Latina, da Universidade de Manchester, de cuja gravação a pesquisadora e curadora indígena mato-grossense Naine Terena e eu participamos. A obra faz referência paródica ao filme de Fritz Kiersch lançado em 1984, conhecido em Portugal como Os Filhos da Terra. Conforme veremos na apresentação, essa experiência de criação e resistência estética lança um alerta diante do agrocídio cometido pelo crescimento desenfreado do modelo de produção de monocultura.

Plantas em narrativas cosmogônicas amazônicas

Lúcia Sá | 14 de outubro



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https://youtu.be/JlLU-JSKkI0

Esta apresentação examina o papel de várias plantas em narrativas cosmogônicas da região Amazônica – tanto narrativas históricas coletadas por intermediários não-indígenas, quanto narrativas publicadas mais recentemente por autores indígenas.

Como a Amazônia foi formada pelos povos da floresta

Eduardo Góes Neves | 14 de outubro



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https://www.youtube.com/watch?v=thBTXJ2xqx8&t=2s

Esta palestra analisa a arqueologia da Amazônia a partir da ação ameríndia sobre o território e a vegetação. Um dos principais argumentos discutidos é o de que a reconhecida biodiversidade amazônica está enraizada na diversidade cultural da região.

Ríos de Amazonía: afluentes poéticos y modernidades contestadas (2022)

Hidrelétricas Re-imaginadas: Arte e Ecofeminismo em Belo Monte

Victoria Saramago | 3 de maio



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Esta apresentação discute como o impacto da construção de usinas hidreléctricas de grande porte tem sido abordado em obras contemporâneas no âmbito da literatura e das artes visuais. Baseando-se no caso da hidrelétrica de Belo Monte, Saramago examina questões tais como a luta por visibilidade e processos de narrativização através de uma tendência ecofeminista na produção atual.

De Correntes e Remoínhos: Forças Hidráulicas e Trabalho Humano na Amazónia

Javier Uriarte | 3 de maio



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Com foco nos escritos do engenheiro colombiano Miguel Triana do início do século XX, e levando em conta as drásticas mudanças na paisagem amazônica atual, como consequência da construção de hidrelétricas como a de Belo Monte, este trabalho tem como objetivo estudar comparativamente maneiras como essas correntes fluviais foram descritas, imaginadas e pensadas na região amazônica.

El Río: discursos sobre as relações multiespécies

Juan-Carlos Galeano | 3 de maio



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El Río é um documentário sobre rios amazônicos que provoca uma reflexão sobre os sofisticados sistemas de conhecimento e letramentos científicos que as comunidades amazônicas desenvolveram para interpretar a globalização, as mudanças climáticas e as controversas relações humanas com os rios, ecossistemas e múltiplas espécies que os habitam.